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Publicado
no jornal O MUNICIPIO |
Não
há visitante que não fique admirado com a beleza do
palacete, situado na Avenida Dona Gertrudes, hoje sede do Palmeiras.
Mesmo nós, de João da Boa Vista, não cansamos
de admirar tão bela arquitetura!
Há pouco meu ex-aluno, Paulo Adriano Godoy Fermozelli, em
uma reunião do Rotary, me perguntou se, no Arquivo Municipal,
havia algum dado histórico sobre o clube, que hoje ocupa
o imponente palacete da avenida central da cidade.
Apesar de não ser conhecedor do futebol sanjoanense, vou
tentar escrever para o Palmeiras Futebol Clube, como historiador
e Presidente do Arquivo Municipal, uma página de sua história,
que poderá conter lapsos involuntários. Será
mais um ponto de partida para outras, que poderão ser escritas!
O que encontrei, consultando jornais, revistas de épocas
passadas e o que escreveram nossos historiadores, salvo alguns reparos,
é o seguinte: o Coronel João Osório de Andrade
Oliveira era o proprietário do palacete, hoje sede social
do Palmeiras Futebol Clube, que ficava, em sua origem, em meio a
uma esplêndida chácara.
Com a “quebra” da casa bancária do Coronel João
Osório, os seus bens foram arrecadados e, entre eles, a chácara
e o palacete. O liquidante da massa falida foi o Dr. Vicente de
Carvalho, conhecido poeta parnasiano de Santos. O desmembramento
do terreno e a venda desse invejável patrimônio foram
entregues à firma de Ruy Fogaça, de São Paulo,
sendo seu representante local e conhecedor das transações,
em cartório, o Dr. Emílio Lansac Toha.
A chácara foi retalhada em lotes e o palacete foi vendido
ao senhor Manuel Rodrigues, que era conhecido, na cidade, como o
grande “picador” de fazendas. Nesta época, a
avenida Dona Gertrudes era de terra vermelha batida e poeirenta.
Algumas lojas de comércio nela se instalaram: a “Casa
dos dois mil reis”, de propriedade de Michel Antakli, a Casa
Ipiranga, O “Bom Gosto;” a Casa Maríngoli; a
relojoaria do Dátoli, dentre outras.
Bem antes de ser a morada do Coronel João Osório,
a história faz referências aos primeiros proprietários
sucessores do imponente “chalé,” sendo eles:
o Dr. Artur de Castro, que o vendeu a Conrado Marcondes de Albuquerque.
Este último era um cidadão, vindo da cidade de Amparo
e, entre as propriedades adquiridas aqui, estava o prédio
da Avenida Dona Gertrudes.
O último proprietário do imóvel, antes de ser
adquirido pelo Palmeiras Futebol Clube, foi o capitão Vitor
Manoel de Andrade Dias, que o deixou para seus herdeiros.
Conversando com muitos amigos da cidade, ouvi referências
a uma das moradoras da família Dias, que foi uma das últimas
a deixar o palacete. É a estimadíssima professora
Flora Dias, que fez parte do corpo docente da escola Cel. Joaquim
José.
Após anos fechado e no abandono, o prédio foi adquirido
pelo Palmeiras, graças ao presidente do clube, João
Batista Bernardes e de seus companheiros de diretoria.
O Palmeiras Futebol Clube necessitava de uma sede social, pois a
antiga (Sociedade Italiana- GAMA) era alugada e acanhada e sem possibilidades
de ampliações. O progresso do clube não podia
esperar mais e, assim, a diretoria se interessou pela compra do
imóvel da avenida Dona Gertrudes, que estava à venda
por Cr$ 6.000.000,00 ( seis milhões de cruzeiros).
Liderados por “ João Lúcio,” a compra
foi possível, graças a um empréstimo financeiro,
junto à Caixa Econômica Estadual. Esta entidade financeira
tinha em sua presidência um ilustre sanjoanense, Dr. Teófilo
Ribeiro de Andrade Filho, que apadrinhou o solicitado pelo Palmeiras.
Também foi planejado um sistema de venda de quotas. Foram
emitidas 250( duzentas e cinqüenta ) quotas, no valor de Cr$
60.000,00 ( sessenta mil cruzeiros ) cada uma. Logo colocadas à
venda, foram em um mês de pronto esgotadas, tal era a confiança
da população junto à Diretoria do Palmeiras.
Muitas reformas e adaptações foram realizadas, procurando
não descaracterizar o estilo arquitetônico do prédio
e uma quadra para esportes foi construída, nos fundos da
sede, para uso múltiplo, como até hoje vem acontecendo.
É o Ginásio “João Mattos Tavares.”
Em 1961 e 1962, mesmo com as obras em conclusão, ali foram
realizados os bailes “de passagem de ano,” com sucesso
espetacular! Esta dependência, acrescida ao prédio,
passou a abrigar as festas de carnaval (1962) e as juninas, cujas
bilheterias arrecadaram uma soma, que superou as expectativas dos
organizadores. Isto ajudou a parte financeira do clube. E...a sede
foi concluída!
Desde modo, o Palmeiras Futebol Clube, que já possuía
seu estádio próprio para o futebol, passou a ter sua
sede social, bem no coração da cidade e é uma
das mais lindas que um clube do interior paulista pode ter!
Hoje, com a anexação do patrimônio “ Maríngolo,”o
Palmeiras entrou na modernidade, construindo seu “parque aquático”e
mais dependências, muito ao gosto dos que cultivam a forma
física!
Desejo sucesso ao atual presidente!
João Baptista Scannapieco Presidente do Arquivo Municipal
Público e Histórico “ Matildes Rezende Lopes
Salomão”. Professor de Geografia e História
licenciado pela USP.
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