HISTÓRIAS DO CLUBE
Palmeiras + Esportiva: a fusão que acabou não acontecendo
por Antonio Carlos N. Oliveira
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Em janeiro de 1968, o sonho de alguns diretores do Palmeiras Futebol Clube e da Sociedade Esportiva Sanjoanense para uma “fusão” do futebol dos dois clubes - sem união dos patrimônios, porém -, visando fortalecer a modalidade na cidade, acabou não surtindo os resultados esperados.

O projeto consistia no seguinte: aproveitando o afastamento temporário do Palmeiras nos campeonatos da Federação naquele inicio de ano, parte de seu plantel – mais os reforços contratados -, com a utilização do Estádio “Oscar de Andrade Nogueira”, da SES, comporiam um novo time na cidade, a SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS SANJOANENSE.

Tudo foi minuciosamente elaborado, com a diretoria da agremiação que nascia sendo composta por 30 diretores, 15 do Palmeiras e 15 da Esportiva, muitos deles abastados e bem sucedidos empresários locais. Como presidente foi escolhido o desportista João Barbosa, que teria como vices (quatro) José Barbosa Filho, José Trafani, Orlando (Landão) Farnetani e Paulino Dezena. Como chefe do Departamento de Futebol fora indicado Nahim Jacob, com vasta experiência no Palmeiras.

Chegada das contratações
No mês de fevereiro, a equipe começava a ser montada. Do elenco do Palmeiras de 1967, de bela campanha no Campeonato da 1ª Divisão, seriam aproveitados o goleiro Armando, os meio-campistas Súla e Odilon, além do goleador Alemão. Do Corinthians, ficaram acertados o lateral Souza e o ponta Bataglia; do Guarani de Campinas os jogadores Nei e Vado e, do Comercial de Ribeirão Preto, o experiente goleiro Rui.

Como treinador, Heraldo, ex-lateral do Guarani campineiro, que indicou logo na chegada atletas do nível de Donah (goleiro que havia começado em São João) e Fedato, em inicio de carreira no Nacional da capital e que jogaria mais tarde na S.E. Palmeiras.

Reformulação do estádio
Dinheiro para investimento não faltou para a nova empreitada: o campo da Esportiva teve trocada a cobertura das arquibancadas, houve o prolongamento do setor das gerais (com ajuda popular na campanha do cimento), cabines de imprensa foram reformuladas, uma “tribuna de honra” fora planejada e, para maior conforto dos torcedores, um estacionamento para 300 veículos estava demarcado.

Primeiro amistoso
Na véspera da primeira partida amistosa da SEPS-Sociedade Esportiva Palmeiras Sanjoanense, marcada para 10 de março contra a Associação Atlética Caldense, mais de 2 mil pessoas estiveram presentes ao último treino preparatório. No dia do jogo, um grande público, estimado em 5 mil espectadores, compareceu à General Carneiro para acompanhar o empate por um gol, marcando para o novo time sanjoanense o atacante Alemão, um gol histórico, de bicicleta. Confira os times:

S.E. Palmeiras Sanjoanense – Armando, Hélio e Laércio; Nei, Aluisio e Souza (Robertinho); Vado, Nilo (Goiano), Alemão, Bataglia (Carlos) e Odilon; A.A. Caldense – Nogueira, Espigão e Miguel; Zé Mauro, Romeu e Serginho; Batata, Paraná, Dejailton, Oscar Pintinho e Hélio.

Federação frustra o sonho
Quando o entusiasmo começou a tomar conta de todos na cidade, eis que chega a notícia de que a Federação Paulista de Futebol houvera negado o pedido de fusão com a alegação de que o Estádio “Dr. Oscar de Andrade Nogueira” não comportava o público mínimo de 10 mil pessoas para o Campeonato da 1ª Divisão que se aproximava. A medida não somente atingiu São João da Boa Vista, como também foram excluídas do certame as equipes do Linense, Batatais, Orlândia e Votuporanguense.

Tudo foi desfeito, a chama se apagou, o Palmeiras ratificou a licença por um ano de campeonatos oficiais da Federação – nos quais retornaria em 1969 – e a Esportiva seguiu com as equipes amadoras, retornando com o futebol profissional muitos anos depois, quando do mandato do presidente Hamilton Barbeitos.

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