| Histórias do Palmeiras FC |
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| 'Seu'
Zé do Campo |
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| Antonio
Carlos N. Oliveira, "Leivinha" - www.leivinha.com.br. |
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Dentre as personagens que fizeram parte da história do futebol do Palmeiras, fora dos gramados, “seu” Zé do Campo merece destaque especial pelas inúmeras passagens presenciadas durante 48 anos a serviço do clube, desde 1963. Natural de São João da Boa Vista, José Ignácio Neto ainda hoje, no alto de seus 81 anos a serem completados em 1º de outubro de 2010, foi e ainda é uma espécie de “faz tudo” nas dependências do Estádio “Getúlio Vargas Filho”, local onde também reside. Conversar com “seu Zé” sobre fatos pitorescos por ele vividos nos leva a percorrer a própria trajetória futebolística do Palmeiras, especialmente na época áurea do profissionalismo. Algumas passagens estão aqui registradas. Confira: “Turma de Caipiras” Na década de 1960, seguia a delegação do Palmeiras para mais um compromisso pela 2ª Divisão, de ônibus, rumo à cidade de Batatais. Em certo local do trajeto eis que uma pane mecânica fez com que todos ficassem na estrada. Ativo em suas atitudes, o diretor Bento Palermo enveredou-se mato adentro em busca de socorro, o que não demorou a acontecer. Palermo, sem tempo a perder, pois a hora do jogo se aproximava, arrumou em um sitio das proximidades um caminhão de transportar vacas, que serviu como complemento da viagem. Foi pouco para os torcedores do Batatais, que aproximavam do estádio para comprarem seus ingressos. Ao verificarem aquela cena da chegada do adversário naquela situação inusitada, logo foram apelidando de a “turma de caipiras”. Para “Seu Zé” aquilo tudo foi de extrema motivação ao elenco, que entrou em campo e venceu por 1 a 0, realizando uma partida espetacular. “Os caipiras deixaram todos de boca aberta”, diz, com um largo sorriso. “Gol de goleiro” “Seu Zé” conta que, certa vez em Bragança Paulista, presenciou um fato que nunca tinha tido a oportunidade de ter verificado: um gol de goleiro. “E foi contra o Palmeiras, infelizmente”, diz. O Palmeiras visitava o Bragantino pela 1ª Divisão, estádio lotado. No final, vitória do time da casa por 2 a 1 e um gols marcado pelo goleiro Ado (ex-Corinthians e tricampeão mundial com a seleção) sobre Teté. “Nunca tinha visto antes, mas tenho certeza que o vento conduziu a bola, caso contrário o Teté teria defendido”, conta. “Depois do jogo, quebraram o vidro frontal do nosso ônibus após muita correria e viemos embora assim mesmo, bem vivos”, finaliza. “Paguei a conta” Em mais uma viagem pelo interior, “Seu Zé “ conta como teve que mexer no bolso para pagar uma conta no restaurante em que a delegação parou para almoçar. “O doutor Antenor (Antenor José Bernardes, presidente do clube) me convidou para sentar em sua mesa, pois gostava de tomar uma caipirinha e queria companhia. Aceitei, com a condição de beber refrigerante, pois estava de trabalho. Na hora de acertar a conta, não é que o doutor tinha esquecido a carteira e o talão de cheques, sobrando para mim a despesa. Foi a primeira vez que um roupeiro emprestou dinheiro ao presidente do clube”, diz, sorridente. “O menino do placar” O bom coração do “Seu Zé” fez a alegria de um pequeno torcedor do Palmeiras, no final da década de 1960. O então garoto Paulo Adriano Godoy Fermoselli – que recentemente deixou o cargo de presidente do clube – permanecia em alguns jogos inerte no portão de entrada, sem poder ingressar no estádio, por imposição do rigoroso porteiro, Pedro Palermo. Por sua intervenção, Paulo passou a ter uma função: a de alterar os números do placar quando um gol assim o determinasse. Segundo “Seu Zé”, “a partir daí ele também passou a ter sua importância nos jogos. Valeu a pena, pois o amor pelo clube por parte do Paulo Fermoselli foi aumentando, até que um dia viesse a ocupar o cargo de presidente”, enfatizou. “Paulinho, goleiro maluco” Todos o chamavam de “goleiro malúco”, tanto é que acabou herdando o apelido. Paulinho Eugênio, o Paulinho Malúco, sanjoanense, começou jogando na Esportiva, passou pelo Bonsucesso e América do Rio até assinar contrato com o Rio Preto, em 1964. Em jogo pelo 2º turno do campeonato daquele ano, no “Getúlio Vargas Filho”, Paulinho, ao defender o gol do time rio-pretense à direita das cabines de rádio na segunda etapa, teve uma implacável marcação de um torcedor, que não parava de atormentá-lo. Em certo momento, o goleiro deixou o gol, pulou o alambrado e saiu em correria desenfreada prá cima do desafeto. “Seu Zé” conta que, não fosse sua interferência na porta da residência, que ficava no interior do campo, “colocando rapidamente prá dentro o torcedor e fechando a porta, não sei o que teria acontecido. O Paulinho estava mesmo muito furioso e o juiz teve que parar o jogo pois o Rio Preto não tinha goleiro”, se diverte. Paulinho, antes de encerrar a carreira, foi goleiro do Palmeiras e de fundamental importância na campanha do título da 2ª Divisão, em 1966. “Comida estragada” Na década
de 1970, o diretor do clube Athos Westin, como viajante que era, em
suas viagens pelo interior antecipava reservas em hotéis e restaurantes
para a delegação que deixava a cidade em dias de jogos.
“Seu Zé” conta uma passagem divertida a respeito:
“Paramos para almoçar em Tatui, cidade muito pequena, porém
hospitaleira. Acontece que, por ser o primeiro a experimentar um nhoque
servido, notei o prato com cheiro azedo, no que avisei os diretores
e não comi. Os atletas não, pois sua refeição
era outra. Não quiseram me ouvir, comeram a valer e o que deu?
Correria para o banheiro antes e durante a partida. O Athos foi muito
elogiado”, diz com ironia. |
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