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Craque de bola, médico, agropecuarista, prefeito
e um dos mais carismáticos presidentes da história do Palmeiras
Futebol Clube. Eis alguns predicados de Antenor José Bernardes
– o “Doutor”, como sempre foi conhecido – personagem
eclética e que muito contribuiu, à sua maneira, para o passado
recente de São João da Boa Vista.
Nascido em nossa cidade no último dia de 1931, filho do saudoso
João Batista Bernardes (João Lúcio) e de Benedita
Valim Bernardes, o garoto Antenor logo cedo demonstrou seu amor pela bola
no antigo campo do Renner, onde atualmente se localiza o segundo da Esportiva.
Ali naquele pedaço, no inicio da década de 40, pintava um
craque dos gramados, bem antes de surgir um emérito craque em outros
ramos de atividades.
OS
ESTUDOS E O FUTEBOL
Como o rigor familiar dos anos 40 ditava, Antenor foi colocado, aos 13
anos, no Colégio dos Irmãos Maristas, em Poços de
Caldas, colega de classe e do time da escola do futuro “capitão”
da Seleção Brasileira, Mauro Ramos de Oliveira, que tornou-se
um grande amigo. Concluída a fase ginasial, retornou à São
João para cursar o científico, estudos conciliados com sua
presença no time de amadores do Palmeiras Futebol Clube, em meados
de 1948.
No ano seguinte, com a presença do pai na diretoria da Sociedade
Esportiva Sanjoanense, optou por mudar de ares e atuar na General Carneiro,
época em que no clube reluzia o futebol profissional “recheado”
de craques do quilate de Bellini, Dias, Renato, Carôlo, Rivetti,
Mandú e outros tantos. Chegou inclusive a freqüentar o elenco
principal, marcando inclusive o gol da vitória por 1 a 0 sobre
o Botafogo de Ribeirão, pelo Paulista da 2ª Divisão
de 49, a maior das recordações defendendo a rubro-negra.
A
MEDICINA
Em 1951, ingressou na Faculdade Nacional de Medicina do Rio de Janeiro,
na Praia Vermelha, com apenas 20 anos, nem por isso deixando de participar
com assiduidade da vida esportiva. Em 53, sagrou-se tricampeão
carioca universitário ao lado dos futuros médicos, ao derrotar
na final à turma da educação física, que tinha
entre os atletas o craque Evaristo de Macedo. O jogo decisivo aconteceu
no Maracanã. Ao se formar, chegou ao final da carreira futebolística,
devido aos sucessivos compromissos com os plantões médicos.
NOVAMENTE
SÃO JOÃO
Doutor Antenor começou a clinicar em sua cidade natal no ano de
1959, mesma época em que o pai assumiu à presidência
do Palmeiras Futebol Clube, cargo que exerceu por 18 anos. Neste período,
sempre foi um dirigente atuante da agremiação, tendo partido
para a vida política e vencido as eleições para prefeito
na cidade para exercer o mandato entre 1973 e 1976.
Arrumava tempo também para cuidar das propriedades rurais da família,
com ênfase à criação de gado de leite e corte,
além da plantação de algodão. Com o afastamento
de João Lúcio da presidência do alvi-negro, em 77,
assumiu a direção como mandatário maior do clube,
posição que ocupou até 1994, marcando sua passagem
com o título conquistado pelo time em 1979, o de campeão
da 1ª Divisão, quando foi revelado para o futebol brasileiro
o atacante Mirandinha, que chegou à Seleção Brasileira.
O “Doutor”, como sempre foi carinhosamente chamado por todos,
hoje vive na tranqüilidade do lar, sempre com a marcante presença
da esposa Márcia, dos filhos Marcelo, Gilberto, Antenorzinho e
Marta, além dos netos, que o rodeiam frequentemente para ouvir
as histórias de uma vida digna e exemplar conduzida através
de múltiplas atividades.
- Antonio Carlos "Leivinha"
- Jornal O Municipio, edição de 22 de março de 2008. |