O início de tudo

Antonio Carlos N. Oliveira
Jornalista

No dia 12 de janeiro de 1924, na residência do capitão Manoel João Batista, situada no Largo das Palmeiras, reuniram-se os desportistas Santos Lanzac Toha, José Ferreira Abdal, Gustavo Backstrom, Antonio Batista, Romano Turato, Manoel Garcia, João Cecílio, Atílio Rubbo, Guilherme Stêfane, Francisco Neves, João Christiano Luhmann, Manoel dos Santos Cecílio, Napoleão Conrado, Nero Pomeranzi e Antonio Martins, com o principal objetivo de tratar da fundação de uma sociedade esportiva e recreativa em São João da Boa Vista.
Nascia ali o Palmeiras Futebol Clube, que, conforme o estabelecido na reunião, cultivaria a preferência pelo futebol amador, além da participação de festas esportivas e proporcionar a seus futuros associados divertimentos recreativos em sua sede social, logo que esta fosse organizada. Como cores do uniforme do clube, ficou definido pelo preto e branco. A equipe alvinegra de São João da Boa Vista foi fundada em homenagem à Associação Atlética das Palmeiras, da capital paulista, na qual se inspirou nas cores do escudo e do uniforme.
Foi então adquirido um terreno na Vila Manoel Cecílio, imediações da linha férrea e do Rio Jaguari, para a construção do campo de futebol. Ali, nas décadas de 30 e 40, o Palmeiras foi realizando suas partidas de futebol que, aos domingos, era ponto de encontro obrigatório dos aficionados do alvinegro.

Com o fortalecimento e consolidação do Palmeiras no cenário futebolístico sanjoanense, jogadores dos mais categorizados da cidade e região se interessaram em defender o clube, que passou a montar times inesquecíveis, especialmente a partir da década de 50.
Desde 1998 que o clube está licenciado do futebol profissional. Realiza apenas torneios internos amadores. Atualmente dedica-se a outras atividades esportivas e dá ênfase a acontecimentos sociais em sua glamourosa sede.

Destaque no Futebol

Em 1957, dois anos após a inauguração do estádio, o Lobo da Vila sagrou-se campeão invicto da 3ª Divisão de Profissionais da Federação Paulista, exercendo a presidência da agremiação na época o empresário Welson Gonçalves Barbosa.
O alto nível do Campeonato Paulista na década de 60 não se resumia apenas à antiga Divisão Especial, a da elite, como também às que vinham num patamar inferior, casos da Primeira, Segunda (a do time sanjoanense) e Terceira. Em 1966, com um elenco forte e reduzido composto por 17 atletas, o Palmeiras disputou uma das “Séries” da 2ª Divisão, a 4ª, ao lado de mais oito equipes: Orlândia, Olímpia, São Carlos Clube, Ituveravense, Internacional de Bebedouro, Monte Alto, Monte Azul e Catanduvense. E foi o campeão.

A FPF organizou, entre fevereiro e abril de 1976, um torneio preparatório para o Paulista da 2ª Divisão daquele ano, com as presenças do Palmeiras, Inter de Limeira, Grêmio Catanduvense, Velo Rioclarense, Batatais e Rio Preto. Com excelentes atuações da dupla de atacantes Babá (ex-Guarani, São Paulo e Seleção Brasileira) e Tião Marino, o alvinegro conquistou o título.
Em 1979, o Palmeiras adquiriu junto à Ponte Preta o então desconhecido atacante Mirandinha, pago, em parte, com a arrecadação de uma partida amistosa no Estádio da Sociedade Esportiva Sanjoanense – gentilmente cedido para a ocasião – contra a Macaca. Mirandinha tornou-se ídolo do clube, defendendo em sequencia vários times de renome nacionais, sendo o primeiro atleta brasileiro a atuar no futebol inglês, no New Castle.
O Campeonato Paulista da 2ª Divisão da FPF, em 1979, teve uma fase preliminar com 20 equipes. Os melhores colocados disputaram uma etapa final, em que o vencedor teria o direito de acesso à Divisão Intermediária, competição considerada um degrau abaixo da Divisão Especial. Depois de um começo claudicante na primeira fase, o Palmeiras, com atuações marcantes de Mirandinha, sagrou-se campeão com três rodadas de antecedência.
Marcos César de Oliveira, o Quinho, começou a destacar-se no Palmeiras em 1980, com 14 anos. Em 85 foi convocado por Jair Pereira para a Seleção Brasileira de Juniores, despertando o interesse do São Paulo, para onde seguiu ao lado do quarto-zagueiro Zé Carlinhos. No Tricolor sagrou-se campeão paulista e brasileiro, em 87.

O último grande jogador revelado pelo Palmeiras, de renome nacional, foi o atacante Alexandre Finazzi, no inicio da década de 90, então com 17 anos. Em 2005, jogando pelo América de São José do Rio Preto, tornou-se o único jogador sanjoanense artilheiro de uma edição do Campeonato Paulista, marcando 17 gols.
Após 73 anos de brilhante participação no cenário futebolístico nacional, o Palmeiras encerrou suas atividades profissionais em 1997, com a expectativa de que, em futuro próximo, possa retomar o caminho do sucesso. Desde 2005, o Estádio “Getúlio Vargas Filho” passou por reformulações em alguns setores, como o portão principal de entrada, vestiários, alojamentos e a cabine de imprensa, que recebeu o nome de “Luis Roberto De Mucio”, sanjoanense e narrador esportivo da Rede Globo e do canal Sportv.

Trajetória de sucesso

Durante sua trajetória, o Palmeiras tornou-se uma das mais tradicionais e conhecidas agremiações do interior paulista, chegando a ter 30 participações no Campeonato Paulista de Futebol. Confira:

  • Segunda Divisão (atual A2): 1967, 1971, 1973, 1975, 1976, 1980, 1981, 1982, 1983, 1984, 1985, 1986, 1987, 1988, 1989, 1991, 1992 e 1993.
  • Terceira Divisão (atual A-3): 1956, 1962, 1963, 1964, 1965, 1966, 1977, 1978 e 1979.
  • Quarta Divisão (atual Série B): 1994 e 1995.
  • Quinta Divisão (atualmente extinta): 1998.